terça-feira, 5 de junho de 2012

Crise Europeia

Crise na União Europeia 
Causas da crise econômica na Europa, consequências, ações de combate à crise, resumo sobre a crise econômica na Europa
Protestos de rua na Grécia contra medidas impopulares de combate à crise
Protestos de rua na Grécia contra medidas impopulares de combate à crise econômica



Crise na União europeia

No plano econômico mundial, o ano de 2011 foi marcado pela crise econômica na União Europeia. Em função da globalização econômica que vivemos na atualidade, a crise se espalhou pelos quatro cantos do mundo, derrubando índices das bolsas de valores e criando um clima de pessimismo na esfera econômica mundial.

Causas da crise:
  
     - Endividamento público elevado, principalmente de países como a Grécia, Portugal, Espanha, Itália e Irlanda.
    - Falta de coordenação política da União Europeia para resolver questões de endividamento público das nações do bloco.

Consequências da crise:
     - Fuga de capitais de investidores;
     - Escassez de crédito;
     - Aumento do desemprego;
    - Descontentamento popular com medidas de redução de gastos adotadas pelos países como forma de conter a crise;
    - Diminuição dos ratings (notas dadas por agências de risco) das nações e bancos dos países mais envolvidos na crise;
     - Queda ou baixo crescimento do PIB dos países da União Europeia em função do desaquecimento da econômica dos países do bloco.
    - Contaminação da crise para países, fora do bloco, que mantém relações comerciais com a União Europeia, inclusive o Brasil. A crise pode, de acordo com alguns economistas, causar recessão econômica mundial.
Ações da União Europeia para enfrentar a crise:

    - Implementação de um pacote econômico anticrise (lançado em 27/10/2011);
   - Maior participação do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Central Europeu nas ações de enfrentamento da crise;
   - Ajuda financeira aos países com mais dificuldades econômicas como, por exemplo, a Grécia.
    - Definição de um Pacto Fiscal, que será ratificado em 2012, cujos objetivos são: garantir o equilíbrio das contas públicas das nações da União Europeia e criar sistemas de punição aos países que desrespeitarem o pacto. Vale destacar que o Reino Unido não aceitou o pacto, fato que aumentou a crise política na região.

 
* As ações de combate à crise são coordenadas, principalmente, por França e Alemanha.

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Crise econômica de 2008-2012

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Mapa-múndi mostrando taxas de crescimento real do PIB para 2009. (Países em marrom estão em recessão econômica.)
A crise econômica de 2008-2012, também chamada de Grande Recessão,[1] é um desdobramento da crise financeira internacional precipitada pela falência do tradicional banco de investimento estadunidense Lehman Brothers, fundado em 1850. Em efeito dominó, outras grandes instituições financeiras quebraram, no processo também conhecido como "crise dos subprimes".
Alguns economistas, no entanto, consideram que a crise dos subprimes tem sua causa primeira no estouro da "bolha da Internet" (em inglês, dot-com bubble), em 2001, quando o índice Nasdaq (que mede a variação de preço das ações de empresas de informática e telecomunicações) despencou.[2]
De todo modo, a quebra do Lehman Brothers foi seguida, no espaço de poucos dias, pela falência técnica da maior empresa seguradora dos Estados Unidos da América, a American International Group (AIG). O governo norte-americano, que se recusara a oferecer garantias para que o banco inglês Barclays adquirisse o controle do cambaleante Lehman Brothers,[3] alarmado com o efeito sistêmico que a falência dessa tradicional e poderosa instituição financeira - abandonada às "soluções de mercado" - provocou nos mercados financeiros mundiais, resolveu, em vinte e quatro horas, injetar oitenta e cinco bilhões de dólares de dinheiro público na AIG para salvar suas operações. Mas, em poucas semanas, a crise norte-americana já atravessava o Atlântico: a Islândia estatizou o segundo maior banco do país, que passava por sérias dificuldades.[4]
As mais importantes instituições financeiras do mundo, Citigroup e Merrill Lynch, nos Estados Unidos; Northern Rock, no Reino Unido; Swiss Re e UBS, na Suíça; Société Générale, na França declararam ter tido perdas colossais em seus balanços, o que agravou ainda mais o clima de desconfiança, que se generalizou. No Brasil, as empresas Sadia,[5] Aracruz Celulose[6] e Votorantim[7] anunciaram perdas bilionárias.
Para evitar colapso, o governo norte-americano reestatizou as agências de crédito imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac, privatizadas em 1968,[8] que agora ficarão sob o controle do governo por tempo indeterminado.
Em outubro de 2008, a Alemanha, a França, a Áustria, os Países Baixos e a Itália anunciaram pacotes que somam 1,17 trilhão de euros (US$ 1,58 trilhão /≈R$ 2,76 trilhões) em ajuda ao seus sistemas financeiros. O PIB da Zona do Euro teve uma queda de 1,5% no quarto trimestre de 2008, em relação ao trimestre anterior, a maior contração da história da economia da zona.[9]

 

História

Segundo George Soros, presidente do conselho da Soros Fund Management, a crise atual foi precipitada por uma "bolha" no mercado de residências e, em certos aspectos, é muito similar às crises que ocorreram desde a Segunda Guerra Mundial, em intervalos de quatro a 10 anos. Entretanto, Soros faz uma importante distinção entre essa crise e as anteriores, considerando a crise atual como o clímax de uma superexpansão ("super-boom") que ocorreu nos últimos 60 anos. Segundo Soros, os processos de expansão-contração ("boom-bust") giram ao redor do crédito, e envolvem uma concepção errônea, que consiste na incapacidade de se reconhecer a conexão circular reflexiva entre o desejo de emprestar e o valor das garantias colaterais. Crédito fácil cria uma demanda que aumenta o valor das propriedades, o que por sua vez aumenta o valor do crédito disponível para financiá-las. As bolhas começam quando as pessoas passam a comprar casas na expectativa de que sua valorização permitirá a elas refinanciar suas hipotecas, com lucros. Isso foi o que aconteceu nessa última crise.[10]

[editar] Origem

Tudo começou em 2001, com o furo da "bolha da Internet". Para proteger os investidores, Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal Americana, decidiu orientar os investimentos para o setor imobiliário.[11] Adotando uma política de taxas de juros muito baixas e de redução das despesas financeiras, induziu os intermediários financeiros e imobiliários a incitar uma clientela cada vez maior a investir em imóveis, principalmente através da Fannie Mae e da Freddie Mac, que já vinham crescendo muito desde que diferentes governos e políticos dos Estados Unidos as usaram para financiar casas aos mais pobres. O governo garantia os investimentos feitos por essas duas empresas. Bancos de vários países do mundo, atraídos pelas garantias do governo, acabaram emprestando dinheiro a imobiliárias através da Fannie Mae e da Freddie Mac, que estavam autorizadas a captar empréstimos em qualquer lugar do mundo.
Foi assim criado o sistema das hipotecas subprimes, empréstimos hipotecários de alto risco e de taxa variável concedidos às famílias "frágeis", ou seja, para os clientes apelidados de "ninja" (um acrônimo para "sem renda, sem emprego e sem patrimônio"). Na realidade, eram financiamentos de casas, muitas vezes conjugados com a emissão de cartões de crédito, concedidos a famílias que os bancos sabiam de antemão não ter renda familiar suficiente para poder arcar com suas prestações.
Num passo seguinte, os bancos que criaram essas hipotecas criaram derivativos negociáveis no mercado financeiro, instrumentos sofisticados para securitizá-las, isto é, transformá-las em títulos livremente negociáveis - por elas lastreados - que passaram a ser vendidos para outros bancos, instituições financeiras, companhias de seguros e fundos de pensão pelo mundo afora. Por uma razão que se desconhece, as agências mundiais de crédito deram a chancela de AAA - a mais alta - a esses títulos.
Quando a Reserva Federal, em 2005, aumentou a taxa de juros para tentar reduzir a inflação, desregulou-se a máquina; o preço dos imóveis caiu, tornando impossível seu refinanciamento para os clientes ninja, que se tornaram inadimplentes em massa, e esses títulos derivativos se tornaram impossíveis de ser negociados, a qualquer preço, o que desencadeou um efeito dominó, fazendo balançar o sistema bancário internacional, a partir de agosto de 2007.
A jornalista Hanna Rosin argumenta que os milhões de adeptos da teologia da prosperidade podem ter influenciado o problema no mercado imobiliário, que causou a crise econômica de 2008-2009, por ignorar fatores como salários por hora e extrato de conta bancária, bem como causa e efeito, e um cálculo prudente dos gastos oferecidos, em favor de "milagres financeiros e a idéia de que o dinheiro é uma substância mágica que vem como um dom do alto".[12]

[editar] A superexpansão (super-boom) de 60 anos

Nos últimos 60 anos, cada vez que a expansão do crédito entrou em crise as autoridades financeiras agiram injetando liquidez no sistema financeiro e adotando medidas para estimular a economia. Isso criou um sistema de 'incentivos assimétricos', conhecido nos Estados Unidos como moral hazard, que encorajava uma expansão de crédito cada vez maior. George Soros comenta: "O sistema foi tão bem sucedido que as pessoas passaram a acreditar naquilo que o então presidente Reagan chamava de "a mágica dos livres-mercados" e que eu chamo de fundamentalismo de livre mercado. Os fundamentalistas de livre mercado acreditam que os mercados tendem a um equilíbrio natural e que os interesses de uma sociedade serão alcançados se cada indivíduo puder buscar livremente seus próprios interesses. Essa é uma concepção obviamente errônea porque foi a intervenção nos mercados, não a ação livre dos mercados, que evitou que os sistemas financeiros entrassem em colapso. Não obstante, o fundamentalismo de livre mercado emergiu como a ideologia econômica dominante na década de 1980, quando os mercados financeiros começaram a ser globalizados, e os Estados Unidos passaram a ter um déficit em conta-corrente".[10]
A globalização permitiu aos Estados Unidos sugar a poupança mundial, e consumir muito mais do que produzia, tendo seu défict em conta-corrente atingido 6,2% do PIB em 2006. Seus mercados financeiros 'empurravam' os consumidores a tomar emprestado, criando cada vez mais instrumentos sofisticados e condições favoráveis ao endividamento. As autoridades financeiras colaboravam e incentivavam esse processo, intervindo - para injetar liquidez - cada vez que o sistema financeiro global se visse em risco. A partir de 1980 os mercados financeiros mundiais começaram a ser desregulamentados, tendo sua supervisão governamental progressivamente relaxada até virtualmente desaparecer.[10]
A superexpansão (super-boom) saiu dos trilhos quando os instrumentos financeiros se tornaram tão complicados que as autoridades financeiras governamentais se tornaram tecnicamente incapazes de avaliar os riscos desses instrumentos financeiros, e passaram a se utilizar dos sistemas de gerenciamento de riscos dos próprios bancos privados. Da mesma maneira, as agências de análise de crédito internacionais se baseavam nas informações fornecidas pelos próprios criadores dos instrumentos sintéticos; às vésperas da quebra da Fannie Mae, essas agências ainda classificavam os derivativos de empréstimos subprime como um risco AAA. "Foi uma chocante abdicação de responsabilidade", classificou Soros.[10]

[editar] Riscos e poderes regulatórios

Para alguns analistas, a primeira metade da década de 2000 será relembrada como a época em que as inovações financeiras superaram a capacidade de avaliação de riscos tanto dos bancos como das agências reguladoras de crédito. O caso do Citigroup é emblemático: o banco sempre esteve sob fiscalização do Federal Reserve, e seu quase colapso indica que não apenas a regulamentação então vigente foi ineficaz como o governo norte-americano, mesmo depois de deflagrada a crise, subestimou sua severidade.[13] O Citigroup não esteve sozinho dentre as instituições financeiras que se tornaram incapazes de compreender totalmente os riscos que estavam assumindo. À medida que os ativos financeiros se tornaram mais e mais complexos, e cada vez mais difíceis de serem avaliados, os investidores passaram a ser reassegurados pelo fato de que tanto as agências internacionais de avaliação de crédito de bônus (bonds) como os próprios agentes reguladores, que passaram a nelas se fiar, aceitavam como válidos os complexos modelos matemáticos - de impossível compreensão para a maioria das pessoas - usados pelos criadores dos produtos financeiros sintéticos, que "provavam" que os riscos eram muito menores do que veio a se verificar na realidade.[13] Na opinião de George Soros, a posição das agências reguladoras financeiras estadunidenses demonstrou "uma chocante abdicação de suas responsabilidades".[14]

[editar] Crise do subprime


Em Birmingham, no início de 2007, fila de clientes diante do Banco Northern Rock, o primeiro banco a sofrer intervenção no Reino Unido, desde 1860.
A crise do subprime foi desencadeada em 2006, a partir da quebra de instituições de crédito dos Estados Unidos que concediam empréstimos hipotecários de alto risco (em inglês: subprime loan ou subprime mortgage), arrastando vários bancos para uma situação de insolvência e repercutindo fortemente sobre as bolsas de valores de todo o mundo. A crise foi revelada ao público a partir de fevereiro de 2007, culminando na Crise econômica de 2008.[15][16]
Subprimes são créditos bancários de alto risco, que incluem desde empréstimos hipotecários até cartões de créditos e aluguéis de carros, eram concedidos, nos Estados Unidos, a clientes sem comprovação de renda e com histórico ruim de crédito -- a chamada clientela subprime. As taxas de juros eram pós-fixadas, isto é, determinadas no momento do pagamento das dívidas. Por esta razão, com a disparada dos juros nos Estados Unidos, muitos mutuários ficaram inadimplentes, isto é, sem condições de pagar as suas dívidas aos bancos.

Desde outubro de 2008 a crise financeira global levou à falência muitas instituições financeiras nos EUA e dos países europeus, ameaçando o sistema financeiro global.
A partir do 18 de julho de 2007, essa crise do crédito hipotecário provocou uma crise de confiança geral no sistema financeiro e falta de liquidez bancária (falta de dinheiro disponível para saque imediato pelos correntistas do banco).
O problema que se iniciou com as hipotecas subprime espalhou-se por todas as obrigações com colateral, pôs em perigo as empresas municipais de seguros e resseguros e ameaçou arrasar o mercado de swaps, multitrilionário em dólares. As obrigações dos bancos de investimentos em compras alavancadas se tornaram um passivo. Os hedge-funds, criados para ser supostamente neutros em relação aos mercados, se provaram não tão neutros e tiveram que ser resgatados. O mercado de commercial-papers paralisou-se, e os instrumentos especialmente criados pelos bancos para tirar as hipotecas de seus balanços já não conseguiam mais encontrar fontes externas de financiamento (funding). O golpe final veio quando o mercado de empréstimos interbancário - que é o núcleo do sistema financeiro - paralisou-se. Os bancos centrais de todos os países desenvolvidos se viram obrigados a injetar rapidamente no sistema financeiro mundial um volume de recursos jamais injetado antes, e a estender créditos para uma variedade de papéis financeiros, e tipos de instituições, jamais socorridos anteriormente.[10]
Mesmo os bancos que não trabalhavam com os chamados "créditos podres" foram atingidos. O banco britânico Northern Rock, por exemplo, não tinha hipoteca-lixo em seus livros. Porém, adotava uma estratégia arriscada - tomar dinheiro emprestado a curto prazo (a cada três meses) às instituições financeiras, para emprestá-lo a longo prazo (em média, vinte anos), aos compradores de imóveis. Repentinamente, as instituições financeiras deixaram de emprestar dinheiro ao Northern Rock, que, assim, no início de 2007, acabou por se tornar o primeiro banco britânico a sofrer intervenção governamental, desde 1860.[17]
Na sequência, temendo que a crise tocasse a esfera da chamada "economia real",[18] os bancos centrais foram conduzidos a injetar liquidez no mercado interbancário, para evitar o efeito dominó, com a quebra de outros bancos, em cadeia, e que a crise se ampliasse em escala mundial.
Segundo o FMI declarou em 7 de outubro de 2008, as perdas decorrentes de hipotecas do mercado imobiliário subprime já realizadas contabilizavam 1,4 trilhão de dólares e o valor total dos créditos subprime ainda em risco se elevava a 12,3 trilhões, o que corresponde a 89% do PIB estadunidense.

[editar] O socorro governamental

Desde que a crise de confiança se agravou e se generalizou, paralisando o sistema de empréstimos interbancário mundial, o governo estadunidense decidiu pôr de lado suas teorias neoliberais e passou a socorrer ativamente as empresas financeiras em dificuldades.
Um pacote, aprovado às pressas pelo congresso estadunidense, destinou setecentos bilhões de dólares de dinheiro do contribuinte americano a socorro dos banqueiros. Desde a quebra do Bear Stearns[19] até outubro de 2008, o governo estadunidense e a Reserva Federal já haviam despendido cerca de dois trilhões de dólares na tentativa de salvar instituições financeiras.
Os países da UE também despenderam várias centenas de bilhões de euros na tentativa de salvar seus próprios bancos.
Em abril de 2009, o G-20, reunido em Londres, anunciou a injeção de US$ 1 trilhão na economia mundial de maneira a combater a crise financeira global.

[editar] Consequências


Oferta de empréstimos sem comprovação de renda, nos Estados Unidos.

[editar] Mundo

As demissões decorrentes da crise têm gerado reações desesperadas na França. Em março de 2009, em três oportunidades trabalhadores franceses fizeram reféns devido a demissões: dia 13, funcionários da Sony detiveram o presidente da empresa no país por uma noite, forçando o pagamento de indenizações maiores pelas demissões; no dia 25, o diretor de operação da 3M foi detido por um dia, sendo libertado após aceitar oferecer melhores condições aos 110 empregados demitidos; e no dia 31, os funcionários da Caterpillar fizeram quatro diretores da empresa reféns, após o anúncio do plano de cortar 733 empregos na unidade.[20]
Por outro lado, as emissões de CO² na União Europeia foram reduzidas em 6% em 2008 em decorrência da crise, de acordo com o instituto de pesquisa Point Corbon, sediado em Oslo.[21]

[editar] Brasil

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Evolução do índice Ibovespa entre 1994 e julho de 2009. É possível observar a forte queda do Ibovespa durante o auge da crise.
Alguns economistas defendem que a crise do subprime não afetará significativamente o Brasil.[22] De todo modo, segundo a maioria dos analistas, todos os países do mundo serão tocados, em algum momento, em maior ou menor grau, pelos feitos da crise deflagrada nos Estados Unidos, devido à globalização dos negócios entre países.
No Brasil, o efeito mais imediato foi a baixa das cotações das ações em bolsas de valores, provocada pela venda maciça de ações de especuladores estrangeiros, que se atropelaram para repatriar seus capitais a fim de cobrir suas perdas nos países de origem. Em razão disso, ocorreu também uma súbita e expressiva alta do dólar. Posteriormente, grandes empresas brasileiras exportadoras sentiram o baque da falta de crédito no mercado mundial para concretizar seus negócios com parceiros estrangeiros. A recessão que atingiu uma grande parte dos países desenvolvidos também afetou o comércio externo. Empresas como Embraer e Cummins por exemplo, que têm seus faturamentos altamente dependentes de vendas ao exterior, tiveram que cortar postos de trabalho e reduzir drasticamente o ritmo de produção. Grandes empresas siderúrgicas no Brasil também desligaram alguns fornos. Em efeito cascata, empresas menores fornecedoras desses grandes conglomerados também foram atingidas.
Como o Brasil realizou profundas reformas econômicas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, como o PROER, implementando sistemas mais rígidos de controle ao sistema financeiro doméstico, o Brasil ficou menos exposto ao cerne da crise, que foi a contaminação sistêmica do mercado financeiro internacional. Além disso, a economia brasileira encontra-se numa posição bem mais confortável para enfrentar essa tempestade mundial do que em crises anteriores. O modelo econômico adotado pelo país desde fins dos anos 1990 - metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal - fez com que um colchão de proteção, através da obtenção consistentes reservas cambiais e de forte credibilidade internacional, salvaguardasse a economia. Não obstante, por estar incluso no comércio mundial, o país ainda assim sentiu efeitos colaterais pesados.
De imediato entretanto, os maiores prejuízos com a crise foram das empresas que especulavam com derivativos de câmbio- e fizeram a aposta errada.[5][6][7] O governo anunciou que não pretende cobrir, com dinheiro público, as milionárias perdas privadas, decorrentes de apostas mal-sucedidas.
A alta do dólar, embora possa eventualmente causar alguma pressão inflacionária, tende a aumentar a competitividade internacional das exportações do país, já que o preço dos produtos brasileiros, em dólares, cai. No entanto, para os setores da economia brasileira que dependem de importações de produtos industrializados sem similar nacional (máquinas e equipamentos, sobretudo produtos de alta tecnologia) ou mesmo de algumas commodities, como o trigo, o dólar alto é um problema.
No mercado interbancário, houve uma paralisação quase total dos empréstimos normalmente concedidos pelos grandes bancos aos menores. Num primeiro momento, o Banco Central do Brasil decidiu isentar os grandes bancos de uma parte do depósito compulsório, a qual deveria ser destinada a empréstimos aos bancos menores. Mas, devido ao clima de quase pânico que se instaurou nos mercados financeiros em geral, tal medida não se revelou suficiente: os grandes bancos continuavam não concedendo empréstimos aos menores. Assim, o Banco Central decidiu adquirir as carteiras de crédito de que os bancos pequenos desejassem se desfazer, desde que oferecessem garantias. Houve pressão ainda para que os bancos estatais comprassem bancos menores em dificuldades. Assim, o Banco do Brasil comprou 49% das ações do banco Votorantim, injetando liquidez, mas não ficando com o controle acionário da instituição.
Para evitar a falta de liquidez (falta de dólares) nos mercados de câmbio, o Banco Central tem realizado leilões de venda de swaps cambiais e, para evitar especulações, em outubro de 2008, realizou até mesmo vários leilões de venda de dólar físico à vista (moeda), utilizando as reservas internacionais do Brasil, o que não era feito desde 2003. Com isto, o BC não pretendia derrubar as cotações do dólar, nem lhes impor um teto, mas somente aumentar a liquidez do mercado.[23]
Por outro lado, o Banco Central tem-se mostrado atento a quaisquer indícios de falta de liquidez no sistema bancário brasileiro, tendo liberado, por mais de uma vez, várias dezenas de bilhões de reais dos depósitos compulsórios, especialmente para os bancos médios e pequenos, preferindo dessa forma irrigar o sistema bancário, em vez de reduzir os juros básicos (taxa Selic), o que ainda poderia provocar pressões inflacionárias. Se a economia mundial entrar em uma conjuntura de deflação, o que não é impossível, só então os juros poderão ser reduzidos sem medo.
Em setembro de 2009, a agência Moody's informou sobre a elevação de rating da dívida do governo para grau de investimento, desde a deflagração da crise econômica de 2008/2009. A classificação também foi dada pelas agências Fitch Ratings e a Standard & Poor's, em 2008. Assim, o Brasil foi o primeiro país a receber a elevação de categoria.[24]

[editar] Análises e prognósticos

Soros
George Soros, em seu livro The New Paradigm for Financial Markets (2008), diz que "estamos em meio a uma crise financeira não vista desde a crise de 1929"[25] e declara que essa crise poderia, em tese, ter sido evitada:
Cquote1.svg desgraçadamente temos a idéia de fundamentalismo de livre mercado, que hoje é a ideologia dominante, e que pressupõe que os mercados se corrigem; e isso é falso porque geralmente é a intervenção das autoridades que salvam os mercados quando eles se atrapalham. Desde 1980 tivemos cinco ou seis crises: a crise bancária internacional de 1982, a falência do banco Continental Illinois em 1984 e a falência do Long-Term Capital Management, em 1998, para citar três. A cada vez, são as autoridades que salvam os mercados, ou organizam empresas para fazê-lo. As autoridades têm precedentes nos quais se basear. Mas, de alguma maneira, essa idéia de que os mercados tendem ao equilíbrio e que seus desvios são aleatórios ganhou aceitação geral e todos estes instrumentos sofisticados de investimentos foram baseados nela.[25] Cquote2.svg
Walter Williams
O professor e economista americano Walter Williams, em entrevista ao programa de televisão Milênio, do canal Globo News, fez a seguinte análise:
Cquote1.svg Mas isto (a crise) foi causado pelo governo, pela Fannie Mae, Freddie Mac e outros, e pelas regulamentações do governo americano, que obrigam os bancos a concederem empréstimos a quem eles não concederiam de outra maneira. Foi a chamada Lei de Reinvestimento Comunitário que possibilitou aos pobres comprarem casa própria. Obrigaram os bancos a fazer empréstimos. [...] Eles disseram aos bancos: "Se quiser abrir outra agência, tem que nos mostrar que concedeu empréstimos a pobres, negros ou minorias." E fizeram chantagem com os bancos. [...] Foi causada (a crise) pelo governo. Cquote2.svg
Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente Lula, falando na abertura da reunião do G20 financeiro, que se realizou em novembro de 2008, em São Paulo, para debater alternativas para a crise internacional, ecoando George Soros, também criticou a crença dogmática na auto-regulação dos mercados:
Cquote1.svg Ela (a crise) é conseqüência da crença cega na capacidade de auto-regulação dos mercados e, em grande medida, na falta de controle sobre as atividades de agentes financeiros. Por muitos anos, especuladores tiveram lucros excessivos, investindo o dinheiro que não tinham em negócios mirabolantes. Todos estamos pagando por essa aventura. Esse sistema ruiu como um castelo de cartas e com ele veio abaixo a fé dogmática no princípio da não intervenção do Estado na economia. Muitos dos que antes abominavam um maior papel do Estado na economia passaram a pedir desesperadamente sua ajuda. Cquote2.svg

[editar] Crise das dívidas soberanas

O desdobramento mais recente da crise financeira e econômica internacional de 2008-2009 foi o da insolvência das nações desenvolvidas. O grande acúmulo da dívida governamental fez estourar a capacidade de endividamento dessas nações e causou uma enorme turbulência financeira ao provocar o temor de que essas nações não pudessem honrar com seus compromissos e decretassem o calote da dívida[26]. A principal consequência da crise das dívidas soberanas foi a grande instabilidade social causada pelos cortes dos benefícios sociais[27].
Em nações como o Japão - que detém o maior percentual de endividamento - a relação dívida-PIB já ultrapassa os 200% [28][29]. Nos Estados Unidos, entretanto, está a maior dívida bruta entre todas as nações do mundo, que já supera os 14,3 trilhões de dólares[30]. Nesse ponto, aliado às recentes crises de insolvência na Grécia, Irlanda e Portugal, e ao temor de que a Espanha, a Itália e o Reino Unido[31] também não consigam honrar seus compromissos, o mercado financeiro sofreu um forte abalo[32].
Porém, o estopim da segunda crise - que já vem sendo chamada de "déjà vu de 2008"[33], por acontecer exatamente três anos depois do primeiro estouro da crise do subprime - se deu pela desconfiança de que talvez os EUA não conseguissem honrar seus compromissos. A crise do limite de dívida dos EUA, que levou a um longo processo negocial e de debate no Congresso Americano sobre se o país deveria aumentar o limite de dívida, e, caso afirmativo, em que montante, fez crescer a especulação internacional sobre a real capacidade de solvência americana[34]. A crise forjou um fim quando um acordo complexo entre ambas as partes conseguiu elevar o limite de gastos em 31 de julho de 2011. Após a sua aprovação no Congresso e Senado, foi ratificado pelo Presidente Barack Obama, ficando o acordo conhecido como Budget Control Act of 2011 em 2 de agosto, data limite para o acordo[35]. Porém o mercado não reagiu positivamente ao acordo, e nos dias que se seguiram, a maior parte das bolsas de valores mundiais fecharam em forte queda[36].
Diante do quadro da crise, a agência de classificação de notas de crédito Standard & Poor's (S&P) rebaixou pela primeira vez na sua história a nota da dívida pública dos Estados Unidos de AAA para AA+, devido à crescente dívida e ao pesado déficit de orçamento[37]. Imediatamente ao rebaixamento da nota de crédito dos EUA, as bolsas de valores mundiais calcularam altíssimas perdas. Seguiu-se ainda que os dados divulgados no mês de agosto apontavam que as economias da Zona do Euro haviam crescido menos do que o previsto, sendo que algumas já estavam em profunda recessão[38]. Depois de inúmeras perdas, algumas ações de bancos se recuperaram nas semanas seguintes de agosto, com os mercados acionários globais, em parte, recuperados após o rebaixamento da nota da dívida estadunidense[39].

 

 

 

 

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Maio de 2010

Crise na Europa

A Europa, sempre lembrada como uma região de altíssimo desenvolvimento econômico e bem-estar social, agora tem sua imagem associada a turbulências de mercado. Entenda como o descontrole das contas públicas e as particularidades políticas do continente conduziram a zona do euro a uma crise financeira que levará anos para ser totalmente superada.

1. Por que a Europa passa por uma crise?

A formação de uma crise financeira na zona do euro deu-se, fundamentalmente, por problemas fiscais. Alguns países, como a Grécia, gastaram mais dinheiro do conseguiram arrecadar por meio de impostos nos últimos anos. Para se financiar, passaram a acumular dívidas. Assim, a relação do endividamento sobre PIB de muitas nações do continente ultrapassou significativamente o limite de 60% estabelecido no Tratado de Maastricht, de 1992, que criou a zona do euro. No caso da economia grega, exemplo mais grave de descontrole das contas públicas, a razão dívida/PIB é mais que o dobro deste limite. A desconfiança de que os governos da região teriam dificuldade para honrar suas dívidas fez com que os investidores passassem a temer possuir ações, bem como títulos públicos e privados europeus.

2. Quando os investidores passaram a desconfiar da Europa?

Os primeiros temores remontam 2007 quando existiam suspeitas de que o mercado imobiliário dos Estados Unidos vivia uma bolha. Temia-se que bancos americanos e também europeus possuíam ativos altamente arriscados, lastreados em hipotecas de baixa qualidade. A crise de 2008 confirmou as suspeitas e levou os governos a injetarem trilhões de dólares nas economias dos países mais afetados. No caso da Europa, a iniciativa agravou os déficits nacionais, já muito elevados. Em fevereiro de 2010, uma reportagem do The New York Times revelou que a Grécia teria fechado acordos com o banco Goldman Sachs com o objetivo de esconder parte de sua dívida pública. A notícia levou a Comissão Européia a investigar o assunto e desencadeou uma onda de desconfiança nos mercados. O clima de pessimismo foi agravado em abril pelo rebaixamento, por parte das agências de classificação de risco, das notas dos títulos soberanos de Grécia, Espanha e Portugal.

3. Quais países se encontram em situação de risco na Europa e por quê?

Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha - que formam o chamado grupo dos PIIGS - são os que se encontram em posição mais delicada dentro da zona do euro, pois foram os que atuaram de forma mais indisciplinada nos gastos públicos e se endividaram excessivamente. Além de possuírem elevada relação dívida/PIB, estes países possuem pesados déficits orçamentários ante o tamanho de suas economias. Como não possuem sobras de recursos (superávit), entraram no radar da desconfiança dos investidores. Para este ano, as projeções da Economist Intelligence Unit apontam déficits/PIB de 8,5% para Portugal, 19,4% para Irlanda, 5,3% para Itália, 9,4% para Grécia e 11,5% para Espanha.

4.Por que o bloco europeu não consegue regular sua política fiscal como os Estados Unidos, por exemplo?

5.A crise financeira pode afetar a economia real da Europa?

6. Por que o euro se desvaloriza?

7. O que foi feito para evitar a derrocada do euro?

 

Os impactos da crise grega na União Europeia

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Economia e ecologia
Os impactos da crise grega na União Europeia
Bloco de conteúdo
Geografia
Conteúdo
Economia e geopolítica
Objetivo
Debater as implicações da crise econômica grega na União Europeia
Conteúdos
Economia da União Europeia, crise econômica na Grécia
Tempo estimado
Três aulas


Introdução
Já se arrasta por mais de um ano uma grave crise econômica na Grécia, país membro da União Europeia que possui uma dívida de cerca de 150% do seu Produto Interno Bruto (PIB). O endividamento obriga o governo grego a adotar uma série de ações que pioram o desempenho da economia. Por exemplo: a diminuição dos gastos públicos por meio da diminuição da folha de pagamento dos funcionários públicos. A medida gera desemprego, que, por sua vez, leva à diminuição do consumo, fator que compromete o crescimento econômico. Aproveite a reportagem de VEJA Um chute na União Europeia e trabalhe com os alunos as causas que levaram o país a essa situação e as implicações da crise no bloco econômico.

Desenvolvimento
1ª aula
Discuta com os alunos a escala do episódio: a crise grega tem caráter nacional ou foi gerada em um patamar que atingiu o país em razão de suas fragilidades? Aqui temos no mesmo imbróglio: estados nacionais (escala global), União Europeia (escala regional), sistema financeiro contemporâneo (bancos privados) e algumas instituições estatais (escala nacional). Explique para a turma de que forma todas essas dimensões se relacionam, como elas estão reguladas entre si e como uma repercute sobre a outra. Muitos credores gregos não pagaram os empréstimos tomados com "base podre", ou seja, com garantias que perderam valor. É isso que se chama de desregramento do sistema financeiro. Novos empréstimos agora só poderão ser tomados com juros muito elevados. Isso significa que não será possível fazer uma dívida nova para pagar a antiga. Tal contexto levou o governo grego a recorrer a empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da agência de socorro da União Europeia, oferecendo garantias dos países mais ricos da União e do Banco Central da União Europeia. De algum modo, esses recursos podem ser chamados de públicos. O núcleo dirigente da União Europeia tem todo o interesse em proteger a Grécia para que a crise não se alastre pelo interior do bloco. Proponha um debate sobre as relações entre as diversas escalas em que as operações econômicas se dão no mundo contemporâneo. Vale ainda uma reflexão mais focada nas relações entre as escalas nacional e regional supranacional, que será representada pela União Europeia.

2ª aula
Leve para a sala de aula a discussão sobre a configuração do que denominamos mundo, composto por estados nacionais como figuras centrais da esfera internacional. Funciona assim ainda? Sim, por um lado, mas há novidades: empresas transnacionais e bancos operam com muito poder na esfera global. Além disso, temos a criação de Estados supranacionais, como a União Europeia. Mais que uma união econômica de parcerias convencionais, trata-se de uma ação que gera, como destacou a reportagem de VEJA, uma moeda pioneira - o euro - que não é nacional e sim supranacional. Trata-se de um processo integrador das nações que inclui ações que ultrapassam o plano econômico. Questione a turma sobre o quanto isso tem funcionado para dissolver as velhas divisões nacionais. A União Europeia está fracassando ou está tendo sucesso? Está vivendo um momento turbulento natural, pois suas ações ainda não tiveram tempo para se sedimentar, ou as dificuldades surgidas são realmente muito difíceis de superar? Peça que realizem uma pesquisa em torno dessas questões em revistas, jornais, sites e livros. Para orientá-la, aborde dois aspectos presentes na construção da União Europeia: qual é a organização atual do bloco e quantos países são seus componentes? Quantos e quais países estão reivindicando o pertencimento à União e que condições devem cumprir para entrar na União?

3ª aula
Países mais pobres recém-integrados à União veem essa participação no bloco como uma grande esperança de desenvolvimento. Discuta com a turma se a integração com uma organização supranacional, se a operação em mercados mais ricos e abrangentes e se o acesso a financiamentos e a programas desenvolvimentistas da União Europeia têm melhorado, de fato, a condição dos países mais pobres que entraram no bloco. Qual a mensagem que a crise atual da Grécia emite? O futuro será o de retomada do foco do desenvolvimento na escala nacional, ou de insistência nas políticas de integração? Vale, no caso do Brasil, pensar também nessas questões, pois o Mercosul e as outras possibilidades de integração na América estão aí e também existem dúvidas a respeito do que compensa fazer em termos de investimentos.

Avaliação
Avalie o desempenho dos alunos nas proposições durante a pesquisa e a participação nas discussões em classe.
Consultoria Jaime Oliva
Geógrafo, professor do IEB (Instituto de Estudos Brasileiros) da Universidade de São Paulo, e autor de livros didáticos.

 

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